abril 18, 2010
“Juro, acredita em mim – a sala de visitas estava escura – mas a música
chamou para o centro da sala – a sala se escureceu toda dentro da
escuridão – eu estava nas trevas – senti que por mais escura a sala era
clara – agasalhei-me no medo – como já me agasalhei de ti em ti mesmo -
que foi que me encontrei? – nada senão que a sala escura enchia-se da
claridade que se adivinha no mais escuro – e que eu tremia no centro
dessa difícil luz – acredita em mim embora eu não possa explicar -
houve alguma coisa perfeita e graciosa – como se eu nunca tivesse visto
uma flor – ou como se eu fosse a flor – ” Noite de fevereiro (Clarice Lispector)