Palavrões (Millor Fernandes)

Setembro 30, 2008

14 de Novembro de 2005

 

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. “Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!”. O “Não, não e não!” e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não!” o substituem. O “Nem fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

São dessa mesma gênese os clássicos “aspone”, “chepone”, “repone” e, mais recentemente, o “prepone” – presidente de porra nenhuma. Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um “Puta-que-pariu!”. E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cu!”? E sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cu!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cu!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação?

Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”. Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala.

Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!”? O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas.Me liberta. “Não quer sair comigo? Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!”. O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade. E…foda-se!”

OOOw my big dad, I love you!

Setembro 29, 2008

Eu te amo você (Marina Lima)

Setembro 26, 2008

Acho que não sei não
Eu não queria dizer
Tô perdendo a razão
Quando a gente se vêÉ tudo tão difícil
Que eu não vejo a hora
Disso terminar
E virar só uma canção
Na minha guitarra

Eu te amo você
Já não dá prá esconder
Essa paixão

Eu queria te ver
Sentindo esse lance
Tirando os pés do chão
Típico romance

Mas tudo é tão difícil
Que era mais fácil
Tentarmos esquecer
E virar só uma ilusão
Nessa madrugada

Eu te amo você
Já não dá prá esconder
Essa paixão

Mas não quero te ver
Me roubando o prazer da
Solidão
Eu te amo
Amo você
Não precisa dizer
O mesmo não
Mas não quero me ver
Te roubando o prazer da
Solidão

By Kleber

Você é fashion?

Setembro 23, 2008

 

Você está ligada na moda? É antenada com a tendência? Qual seu designer preferido? As pessoas estão obcecadas pelo o que se usa, o que está em alta ou em declínio na onda fashion. Leitores querem, editores pedem, e jornalistas pulam em cima para anotar grifes utilizadas por qualquer um com cinco minutos de fama. Antes de sair de casa, o famoso é obrigado a conferir a etiqueta de cada peça que veste. Ai dele se não reservar boa parte de seus rendimentos pra isso, porque o modelinho escolhido pode determinar os rumos de sua carreira. Se nada ali for Dolce, Armani ou Gucci, se for um Casas Americanas, e o famoso um astro em ascensão, será atirado na fogueira pública da breguice. Já se quem estiver usando for a Contanza Pascolato, aí a escolha terá sido um exemplo de despojamento elegante! Tudo é relativo e fútil minha gente, fútil pra caramba, nesse cada vez mais vasto mundo das superficialidades. Pois esse é o lado chato da estória, a patrulha de quem segue a boiada pisoteando tudo que não agrada seu gueto de atrofiadinhos da mente – da mente que não pensa, a mente da massa que é burra mesmo, porque se pensar discorda, e aí, não cabe mais ali.Nunca foi diferente. Uma Alemanha inteira seguiu um homenzinho de bigode durante anos, porque esqueceu de pensar por um tempo. E lá as conseqüências foram mais desastrosas do que nos campos das ditaduras estéticas. Fazer o que? Deixar estar companheiro, porque do outro lado da burrice, existe a verdade. No caso da moda, o estilo de cada um é esta verdade. E ela tonifica a mesmice

Você chega num lugar com aquele estilão só seu, e as pessoas fazem uma leitura daquilo. É uma leitura parcial claro, mas já é o começo de um encontro. O “não ligo pra isso” da contra-corrente só dificulta o início dessa comunicação, num mundo que mau ou bem, superestima a aparência. Li na revista Time que apenas 20% da comunicação humana é feita através das palavras, mesmo quando se está falando. Os outros 80% acontecem pela mímica corporal, a expressão do rosto, a entonação, as maneiras da pessoa e o que ela está vestindo, entre outros dados. Então se já anda tão difícil a gente se compreender porque ninguém quer ler os sinais mais sutis, e se isso de panos e estilos é algo bobo pra você, porque então não conceder justamente aqui onde a coisa é cada vez mais importante para tantos? Por que não? Se não dói nada, e você meu príncipe, só tem a ganhar ao escolher seu jeito dentro disso? Claro que é esquisito que enquanto explodem prédios numa ONU em declínio, enquanto caem Saddams e sobem Bushs, e que guerras mentirosas nos são impostas, o mundo se julgue através de signos tão limitados. É estranhíssimo que um mundo assim se deslumbre com passarelas de excentricidades têxteis e os peitos perfeitos de super mulheres talhadas com bisturi e dinheiro. Se você não quer compactuar com tanta contradição, é direito seu, fique a vontade. Às vezes também me revolto. Vou te contar um segredo, fútil. Eu ia fazer uma plástica sabe, pra alisar as linhas de expressão ao redor dos olhos. Pois não vou mais. Não vou! Elas que fiquem aqui mais um tempo, me lembrando quem sou. São meus choros e meus recomeços. Farei concessões na marca do jeans, na combinação das cores, em botar isso e não aquilo pra ir ali. Mas não preciso parecer ter 20 anos e assim seduzir quem não me interessa. A gente se curva onde pode, e isso também é estilo. É que modismos, peitos, Bushs e companhia, tudo isso cansa muito, e lá dentro de mim há um clamor pelas coisas como elas são. Eu quero comer pão com manteiga da fazenda de minha infância. Quero um colo de mãe bem farto e macio, e com os peitos murchos como devem ser os peitos de mãe. Cadê elas, as mães de verdade, com cara de mãe e tempo pra gente? Quero uma pra me ouvir reclamar com saudade das conversas fiadas que nunca terei. Quero de volta três horas por dia, pra não fazer nada. Quero andar de carroça com ar puro batendo no rosto. Você sabe qual a média de velocidade de um carro na cidade? 17 km por hora. Igual ao da carroça do início do século passado. Quer dizer, andamos e andamos pra chegar aonde já estivemos, e com metade do prazer. O que isso tem a ver com o mundo fashion? Também não sei meu príncipe… Responda aí você que veio comigo até esse ponto. Eu aliás, já nem estou mais aqui, estou lá no meu canto sem grife, cheia perguntas desantenadas e uma forte tendência pra lugar nenhum.

(Maitê Proença)

Setembro 22, 2008

 ”É um condicionamento muito forte da sociedade. Então, elas sabem intimamente que elas são umas mães de merda. Porque no trabalho ela precisa ser maravilhosa, porque ali é onde as pessoas a estão vendo. E ela sabe para que aquilo funcione, ela deixa de fazer em outro lugar. E ela se sente muito mal com isso, só que esconde. A maternidade não aparece. O que aparece é na empresa onde ela é uma grande pessoa, exuberante, inteligente, uma mulher incrível. Ali é aplaudida. Aí quando o filho tiver 23 anos, cheio de traumas, essa mãe se pergunta: mas onde foi que eu errei? E ela sabe intimamente onde errou, por isso fica infeliz. Acho que antigamente as mulheres faziam concessões e havia mais nobreza. Não existe mais isso. As pessoas só fazem tudo para se exibir. “

Maitê Proença

Setembro 22, 2008

Amar… Um Sentimento Indefinido

Muitas vezes pensamos que amamos… mas simplesmente sentimos emoções que não se descrevem como amor de verdade, apenas emoções, ilusões de amar…

Já se falou tanto em amor, amizade e paixão… Que tal falarmos do que não é amor???

*Se você precisa de alguém para ser feliz, isso não é amor. É carência.

*Se você tem ciúme, insegurança e faz qualquer coisa para conservar alguém ao seu lado, mesmo sabendo que não é amado, e ainda diz que confia nessa pessoa, mas não nos outros, que lhe parecem todos rivais, isso não é amor. É falta de amor próprio.

*Se você acredita que “ruim com ela(e), pior sem ela(e)”, e sua vida fica vazia sem essa pessoa; não consegue se imaginar sozinho e mantém um relacionamento que já acabou só porque não tem vida própria – existe em função do outro – isso não é amor. É dependência.

*Se você acha que o ser amado lhe pertence; sente-se dono(a) e senhor(a) de sua vida e de seu corpo; não lhe dá o direito de se expressar, de ter escolhas, só para afirmar seu domínio, isso não é amor. É egoísmo.

*Se você não sente desejo; não se realiza sexualmente; prefere nem ter relações sexuais com essa pessoa, porém sente algum prazer em estar ao lado dela, isso não é amor. É amizade.

*Se vocês discutem por qualquer motivo; morrem de ciúmes um do outro e brigam por qualquer coisa; nem sempre fazem os mesmos planos; discordam em diversas situações; não gostam de fazer as mesmas coisas ou ir aos mesmos lugares, mas sexualmente combinam perfeitamente, isso não é amor. É desejo.

*Se seu coração palpita mais forte; o suor torna-se intenso; sua temperatura sobe e desce vertiginosamente, apenas em pensar na outra pessoa, isso não é amor. É paixão.

Agora, sabendo o que não é amor, fica mais fácil analisar, verificar o que está acontecendo e procurar resolver a situação… Ou se programar para atrair alguém por quem sinta carinho e desejo; que sinta o mesmo por você, para que possam construir um relacionamento equilibrado, aí sim, este é o verdadeiro e eterno amor!!!

Meu pai disse-me um dia:

“Filho… você terá três tipos de pessoa na sua vida:

- Um amigo, aquela pessoa que você terá sempre em grande estima, que você sabe que poderá contar sempre; que bastará você insinuar que está precisando de ajuda e a ajuda está sendo dada;

- Uma amante, aquela pessoa que faz o seu coração pulsar; que fará com que você flutue e nada importará quando vocês estiverem juntos;

- Uma paixão, aquela pessoa que você amará, desejará incondicionalmente, às vezes nem lhe importando se ela lhe quer ou não, e talvez ela nem fique sabendo disso.

Mas, se você conseguir reunir essas três pessoas numa só – pode ter certeza, meu filho: – Você encontrou a felicidade.” (texto de Augusto Schimanski – 1928/1973)

Setembro 22, 2008

Sem personagem, sem mecanismos. Aconteça tranqüilo, natural, orgânico como você realmente é…

Prezada Mulherzinha,

Setembro 11, 2008

 

 

mais textos de Fernanda Young

Se existe alguém que pode falar o que vou falar para você, sou eu. Então, por favor, tenha a humildade de admitir que sei o que estou falando. Pois o que eu te direi é duro, mas poderá te fazer um bem enorme.

Chega. Chega de se comportar assim. Como se estivesse lutando pelo posto de rainha da bateria. De Miss Maravilha do Mundo. Basta de ataques, dessa competitividade suburbana eu sou a melhor, eu sou a mais alta, eu sou a mais gostosa do pedaço. Ninguém tá ligando a mínima se você corre 10 quilômetros ou se aplicou Botox nessa sua testa sem expressão. Ou se você é assim porque ainda não passa de uma menininha que quer ser mais perfeita do que a mãe, conquistar o amor do pai e ser a primeira da classe. Esse teu afã psicopata de vencer todas as paradas só te deixa ridícula. E me faz querer usar um termo que odeio: coisa de mulherzinha. Mulherzinha é que tem essa mania de estar sempre desconfiada das amigas, porque todas teriam inveja do seu corpão e do seu cabelão estilo falso-loiro-natural-cinco-tons. Lamento informar, querida, que ninguém sente inveja de você. Por isso, chega de dizer por aí que, para não atrair olho grande, é bom ficar de bico fechado sobre a tal possível promoção que você terá no trabalho. Relaxa, ninguém está a fim de ser você. Tente, portanto, ser você com mais leveza. E lembre-se: esse negócio de dizer que não se pode confiar em mulheres só comprova que você é uma pessoa maliciosa. Sendo que isso está longe de ser porque você é fêmea.

Quando vejo você tagarelando sobre seus feitos sexuais, sinto-me num filme ruim sobre ginasianas americanas. Todas fanhas e excitadas. Chega, tá? De azucrinar os outros com essa sua boca-genital lambuzada de gloss, cuspindo baixos-clichês, simulando uma modernidade que você não tem. Nunca mais caia no ridículo de fazer “sexo casual” com nenhum tipo de homem, mais velho ou mais novo, casado ou solteiro, porque todo mundo já sabe que você finge tudo. Que goza, que não se sente fácil, que não liga quando os caras não telefonam no dia seguinte. Seja honesta uma vez na vida: confesse. Que você não é nada tão wild quanto se vende. Que não sabe falar tão bem inglês assim. Que fez escova progressiva. Que tem dermatite. E enfim você terá alguma paz, pois se reconhece humana, e não a barbie boba que você procura ser. Acredite: idiotice só te faz charmosa para os cafajestes. Se continuar assim, nunca vai aparecer aquele cara bacana que você gostaria que aparecesse; para lutar por você, até te conquistar, e destruir essa tua linda silhueta com uma gestação de 15 quilos.

É triste, amiga Mulherzinha, mas você terá que abrir mão da máscara de rímel que cobre a sua verdade.

Talk to me softly
There is something in your eyes
Don't hang your head in sorrow
And please don't cry
I know how you feel inside I've
I've been there before
Something is changin inside you
And don't you know

Don't you cry tonight
I still love you baby
Don't you cry tonight
Don't you cry tonight
There's a heaven above you baby
And don't you cry tonight

Give me a whisper
And give me a sign
Give me a kiss before you
tell me goodbye
Don't you take it so hard now
And please don't take it so bad
I'll still be thinking of you
And the times we had...baby

And don't you cry tonight
Don't you cry tonight
Don't you cry tonight
There's a heaven above you baby
And don't you cry tonight

And please remember that I never lied
And please remember
How I felt inside now honey
You gotta make it your own way
But you'll be alright now sugar
You'll feel better tomorrow
Come the morning light now baby

And don't you cry tonight
And don't you cry tonight
And don't you cry tonight
There's a heaven above you baby
And don't you cry
Don't you ever cry
Don't you cry tonight
Baby maybe someday
Don't you cry
Don't you ever cry
Don't you cry
Tonight